Portugal e a Grande Depressão

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Dei ontem uma breve entrevista ao Expresso sobre (a ausência de) impacto do crash de 1929 e da Grande Depressão em Portugal. Pode ser lida aqui (artigo completo apenas para assinantes).

Fica aqui um resumo: a ausência de efeito explica-se pela falta de integração da economia portuguesa nos mercados internacionais e pelo elevado peso da agricultura na mesma. Salazar tentou fazer um aproveitamento político da situação, mas não foi o principal responsável.

História da PIDE

Um novo blogue de Duncan Simpson, investigador no ICS, é dedicado a cartas de denúncia para a PIDE. O Duncan Simpson abre com uma notável carta de uma avó que denuncia uma neta de 30 anos por andar a ler um livro sobre o Amor em Liberdade, considerado pornográfico pela avó. Ver também o artigo relacionado do Duncan Simpson na Análise Social.

A PVDE/PIDE/DGS era uma instituição sinistra que, a partir da democracia, quase passou a definir Estado Novo, confundindo-se com o mesmo no imaginário popular (e também no de alguns historiadores).

Na verdade, o Estado Novo era muitas coisas e a PIDE apenas uma delas, mas esta instituição repressiva era sem dúvida uma parte integral desse regime político. As suas condenáveis práticas são sem dúvida um dos piores aspectos do regime. O Estado Novo foi responsável por uma política económica de bastante sucesso para o país (ver também aqui), mas negava a liberdade, social e política, que tem valor só por si.

No entanto, é preciso não esquecer que havia mais apoio da parte do público pelo regime do que por vezes se imagina. É preciso não esquecer isto quando pensamos na pergunta: porque durou o Estado Novo tanto tempo? É essencial compreender o que muitos historiadores não querem compreender devido às suas preferências políticas – o Estado Novo não era apenas repressão vinda de cima. Também havia muita repressão “vinda de baixo”.

Ajudar à internalização disto é, do meu ponto de vista, a maior contribuição que o trabalho de Duncan Simpson nos poderá trazer.

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Addendum, publicado minutos depois do post inicial: Para clarificar, o alvo principal da avó não era a neta, já que o nome da mesma não é dado na carta. Não seria representativo uma carta de uma avó dando o nome da neta.

Ou seja, a avó não denuncia tanto a neta mas sim implicitamente os editores do livro e o facto de tais livros serem autorizados a circular em Portugal. Mas ao fazer isto, está indirectamente, como é evidente, a ajudar a evitar que outras raparigas possam ler tais livros.

Artigo do Expresso sobre a economia portuguesa no longo prazo

Esta Sábado o Expresso dedicou 2 páginas ao meu trabalho com o Jaime Reis, e também com o António Castro Henriques. O Jorge Nascimento Rodrigues fez um bom sumário em que explica e contextualiza o nosso trabalho.

De momento o artigo do Expresso só está disponível para assinantes, mas o trabalho principal a que o artigo se refere é o que eu já me referi aqui neste blogue – ver aqui.

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Para compreender as crises bancárias em Portugal

Portugal tem tido problemas bancários recorrentes desde o início do século.

Quem queira perceber, por exemplo, o caso Berardo (e outros do género), só tem que ler o livro “Fragile by Design” de Calomiris e Haber. O livro já tem uns anos, e os autores não sabem de certeza quem é o Berardo, nem outras personagens Lusitanas do género, nem nada que tenha a ver com política nem crédito mal parado (e o contribuinte a pagar) em Portugal — mas está lá tudo explicado. Não é complicado, nem surpreendente, pelo contrário.

Aliás, os casos futuros também estão lá estão explicados. Até diria mais: também está lá explicado porque é que num país como Portugal, o mais provável é este tipo de coisa continuar a acontecer (a não ser que legislação Europeia o evite, e existem alguns passos nesse sentido, ainda que por enquanto provavelmente insuficientes).

O primeiro capítulo sumariza o argumento dos autores e pode ser lido gratuitamente aqui. Também é possível ouvir uma entrevista áudio com o primeiro autor, aqui.

Fragile

 

O crescimento económico Português entre 1527 e 1850

Já escrevi várias vezes sobre o comportamento da economia Portuguesa no longo prazo, ver por exemplo aqui, ou também aqui.

O artigo de investigação de base do Jaime Reis e meu (Nuno Palma), “From convergence to divergence: Portuguese economic growth, 1527-1850”, foi agora aceite no Journal of Economic History, geralmente considerada a melhor revista académica de investigação sobre História Económica a nível mundial.

Ler mais aqui.

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Atualização: a versão final e desbloqueada (ungated, i.e. grátis) deste artigo pode ser lida aqui.