Doutoramento em História Económica

Para quem possa ter interesse em fazer um doutoramento em História Económica no Instituto de Ciências Sociais, em Lisboa, sob a minha orientação, ver este site, e também este. O grupo de História pode ser consultado aqui. Existe financiamento em Portugal para doutoramentos por via da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, entre outras possibilidades.

Para quem tenha antes preferência por fazer o Doutoramento comigo na Universidade de Manchester, em Inglaterra, tem escolha de o fazer em Economia ou História, já que em qualquer das hipóteses, a especialidade de História Económica é uma opção. Ver aqui para Economia e aqui para História. Para entrar na opção Doutoramento em Economia é preciso ter uma forte formação de base em métodos quantitativos.

Podem enviar-me o CV assim como uma proposta de uma página com uma proposta de projecto de investigação para o meu email, que podem encontrar no meu site pessoal.

Nuno Palma

A discriminação de género em Portugal em perspectiva histórica (e comparada)

Porque é que os países da Europa do Norte tiveram, desde há séculos, um desenvolvimento económico superior ao dos do sul, e em particular à Península Ibérica?

Um hipótese que tem ganho proeminência na literatura de história económica nos últimos anos tem sido a “Girl Power”: a ideia de que esses países do Norte da Europa, como a Inglaterra ou a Bélgica, discriminavam em termos relativos menos contra as mulheres do que acontecia nos países do Sul da Europa continental. Isto depois teria várias consequências não só para as mulheres mas para o desenvolvimento da sociedade em geral, por exemplo por via do investimento na educação dos seus filhos e filhas. Ver, por ex. este artigo, ou este livro.

Neste artigo recente, que escrevi em co-autoria com Jaime Reis e Lisbeth Rodrigues, nós mostramos que esta hipótese não pode estar certa – pelo menos no que toca à Europa Ocidental. Parece razoável que a hipótese tenha algum poder explicativo para explicar o sucesso da Europa relativamente ao Médio Oriente, por exemplo – em que as mulheres efectivamente são e já eram há séculos tendencialmente mais discriminadas, em termos relativos.

Mas dentro da Europa Ocidental, como nós mostramos, não haviam diferenças significativas: em Portugal, e ao contrário do que afirma a literatura “Girl Power”, as mulheres casavam no mesmo intervalo de idades do que no Norte da Europa, não enfrentavam mais restrições à sua particpação no mercado laboral, e não tinham o seu salário fixo por normas sociais. Também recebiam uma fração do salário masculino idêntica ao que se passava noutros países da Europa Ocidental, como se pode ver nesta Figura retirada do nosso artigo:

A disparidade salarial de género comparada (f/m), para trabalhadores não qualificados, 1270-1900 (a título de exemplo; ver o nosso artigo que mostra mais países e qualificações)

Uma implicação dos nossos resultados é que se não são estes factores culturais e de normas sociais que explicam a divergência, ou seja, têm que existir outros factores que explicam a falta de desenvolvimento histórico de Portugal. A minha intrepretação, como é conhecido de alguns leitores, é que as causas da divergência Ibérica foram antes políticas e institucionais (ver por exemplo este artigo para evidência deste tipo de atraso e do seu timing; e este para a sua explicação). Como podemos ver na seguinte Figura, a divergência económica só acontece já depois da Idade Média:

Rendimento por pessoa em preços constantes, 1500-1800

Afinal, quantos séculos tem o atraso económico de Portugal?

Dei recentemente uma entrevista ao Podcast 45 graus, em que abordo várias questões relacionadas com a medição e as causas do atraso económico portugês no longo prazo, assim como a natureza da disciplina conhecida como História Económica, e a sua relação com a História e a Economia.

Deixo aqui o meu agradecimento a José Maria Pimentel pela oportunidade e pelo seu interesse pelo meu trabalho.