Palestra na Universidade Aberta

Dia 4 de Abril estarei em Lisboa e darei uma palestra no Salão Nobre da Universidade Aberta, às 18h, sobre as origens do atraso económico e institucional português.

Existe a opção de ouvir presencialmente (inscrições limitadas) ou por Zoom.

Detalhes para inscrições (gratuitas) no cartaz preparado pelos organizadores:

Portugal não é uma democracia plena

Já aqui tenho denunciado que Portugal não é hoje uma democracia liberal, plena. Isto não é frequentemente lembrado (e por vezes até é negado) em Portugal, mas é o que indicam, sem margem para dúvida, vários relatórios internacionais: Portugal é antes uma democracia eleitoral limitada e com falhas. Isto é evidente através não só de relatórios internacionais como do V-dem da Universidade Gotemburgo, na Suécia, mas também por exemplo, a revista The Economist considera Portugal uma “Flawed Democracy”.

Lembro isto a propósito da minha participação de hoje no programa “Contra-Corrente” da Rádio Observador, que me telefonou ontem a perguntar se eu teria interesse em partilhar a minha experiência com o último acto eleitoral, em que 80% dos votos do círculo da Europa foram anulados.

Na minha participação apontei outros problemas para além deste (já em si grave). Falei sobre a desproporção dos deputados que representam os círculos da emigração: apenas dois deputados para cerca de um milhão de pessoas, ou seja, apenas 1 deputado para cada 500 mil pessoas, em comparação com o que se passa em Portugal continental em que PS e PSD elegem, em média, um deputado por cada 20 mil pessoas. Este sistema eleitoral viola por isso o princípio da proporcionalidade e é um incentivo ao voto útil. Ou seja, para quem tenha votado em qualquer partido que não o PS ou PSD, o seu voto foi para o lixo não com 80% de probabilidade, mas sim de certeza. No meu caso, não quis saber e votei na IL na mesma, mas este tipo de chantagem, de incentivo ao voto útil, é claramente pouco democrático. Mas será que podemos contar com os partidos que mais benificiam deste sistema eleitoral para o reformar? Sou pessimista.

Quem quiser pode ouvir-me aqui (eu falo entre os 01:03:20 e 01:09:50), e as questões que eu levanto, nomeadamente a questão da falta de um círculo de compensação nacional, são depois repescadas pelos jornalistas no final do programa (minutos 01:36:45 em diante).

Sexta-Feira é o Novo Sábado (a semana dos 4 dias)

Pedro Maia Gomes, professor no Bickbeck College da Universidade de Londres, escreveu um livro extraordinário em que defende a semana dos 4 dias de forma exemplar.

Esta é uma ideia pouco popular entre a direita e liberais em Portugal, porque está associada a promessas populistas da esquerda, mas é preciso separar as águas. A ideia dos 4 dias é boa, desde que bem implementada, e é aqui defendida de forma séria. A minha recomendação aliás aparece no livro:

«Excelente e de leitura obrigatória. Pedro Gomes mostra que é possível apresentar esta ideia de forma séria e bem fundamentada.» [Nuno Palma]

O livro também é recomendado por Paes Mamede, Louçã, Ricardo Reis e Chris Pissarides (prémio Nobel da Economia em 2010). Os dois últimos são académicos sérios, como é evidente. Os dois anteriores nem por isso. Mas a verdade é esta: se eu consigo concordar com Paes Mamede e Louçã nalguma coisa, então talvez seja uma ideia que possa reunir amplo consenso na sociedade. Recomendo altamente a quem tenha dúvidas ler o livro e depois decidir de sua justiça. Vale mesmo a pena.

Manifesto anti-Pacheco

Basta pum basta!
Uma geração que consente
Deixar-se representar por um Pacheco
É uma geração que nunca o foi
É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos

É uma resma de charlatães e de vendidos
E só pode parir abaixo de zero!
Abaixo a geração!
Morra o Pacheco, morra! PIM!

Uma geração com um Pacheco a cavalo é um burro impotente!
O Pacheco saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias para cardeais, saberá tudo menos escrever, que é a única coisa que ele faz! o Pacheco emprenha as esquerdas!
O Pacheco pesca tanto de História
Que até escreve colunas disfarçado de lagartixa obesa!

O Pacheco é um habilidoso!
O Pacheco veste-se mal!
O Pacheco usa ceroulas de malha!
O Pacheco especula e inocula os concubinos!
O Pacheco é Pereira!
O Pacheco é Dantas!
Morra o Pacheco, morra! Pim!

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Fonte para a imagem.


E o Pacheco tem claque! E o Pacheco tem palmas! E o Pacheco agradece!
Não é preciso ir para o Rossio p’ra se ser pantomineiro: basta ser-se pantomineiro! Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta escrever como o Pacheco! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, usar camisas três números acima e ter olhos meigos!
Basta a mulher mandar nos livros, e paga por nós! Basta ser Pacheco! Basta sonhar com o radicalismo erótico da extrema-esquerda!
Morra o Pacheco, morra! Pim!

O Pacheco nasceu para provar que nem todos os que escrevem
Sabem escrever!
O Pacheco é um autómato que deita
P’ra fora o que a gente já sabe o
Que vai sair… Mas é preciso deitar dinheiro!

O Pacheco é um soneto dele-próprio!
O Pacheco em génio nem chega a pólvora seca, e em talento é
Pim-pam-pum
O Pacheco nu é horroroso!
O Pacheco cheira mal da boca e dos pés!
Morra o Pacheco, morra! Pim!

O Pacheco é o escárnio da consciência!
Se o Pacheco é português eu quero ser espanhol!
O Pacheco é a vergonha da intelectualidade portuguesa!
O Pacheco é a meta da decadência mental!
E ainda há quem não core quando diz admirar o Pacheco!
E ainda há quem lhe estenda a mão e ofereça livros e objectos!
E quem lhe lave a roupa! quem lhe arrume a papelada ephemera!
E quem tenha dó do Pacheco!
E ainda há quem duvide que o Pacheco não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

Continue o senhor Pacheco a escrever assim que há de aprender muito com o Cunhal e ainda apanha uma avenida na margem sul, uma exposição das maquetes p’ró seu monumento erecto por subscrição nacional do “Público”, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr. Pacheco, com festas da cidade pelos seus aniversários, e sabonetes em conta Pacheco e pasta Pacheco para os dentes, e graxa Pacheco para as botas e niveína Pacheco, e toma um comprimido Pacheco, e autoclismos Pacheco! E Pacheco, Pacheco, Pacheco, Pacheco… E limonadas Pacheco magnésio!

E fique sabendo o Pacheco, que se um dia houver justiça em
Portugal, todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o
Pacheco que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a
Glória do seu pseudónimo Camões!
E fique sabendo o Pacheco que se todos fossem como eu
Haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar

Mas julgais que a isto se resume a academia, os artistas, e a política portuguesa? Não! Mil vezes não!
Temos, além disto, o Rosas, que campeão das capelinhas académicas endogâmicas e feudais, herói dos jornalistas do Público, que no seu BMW já se enrolou numa ménage-a-cinq com o Louçã e as manas Mortágua e seu pai, e fizeram rimas para a Venezuela que deixou de ser a derrota da democracia p’ra ser a derrota do Capitalismo! E as pinoquices de António Araújo passadas no tempo da avózinha! E as infelicidades de Irene Pimentel como o seu prestigiado prémio invejado pela academia mundial! E o talento insólito de Manuel Loff, o campeão dos antifas! E as gaitadas do Álvaro Garrido que tem muito talento para a pesca! e o criminoso Otelo, preso por um fio, herói de Setúbal e do Campo Pequeno! E as traduções só p’ra Homem do ilustríssimo, excelentíssimo, feminista Pedro Marques! E o frei Miguel Costa Matos! E as imbecilidades da Ana Catarina Mendes! E mais pedantices do Pacheco! E o prestigiado Pedro Adão e Silva, o Pacheco da política! E o seu buddy Paes Mamede com mais amigos do covil xuxa-ISCTE! E alguns jornalistas da Visão e do Expresso! E os actores de todos os teatros! E todos os pintores das Belas-Artes, realizadores mão-estendida, e artistas de Portugal, da RTP e da SIC de que eu não gosto. E os palermas Boaventuristas de Coimbra! E a estupidez ignorante de Rita Rato do Museu e ah oh os Sérgio Sousa Pinto da RDA é que era, hu hi e os burros de cacilhas e os menús monstruosos dos demolidores Daniel Oliveira, Mamadou Ba, Maria João Marques, Raquel Varela, Carmo Afonso, e Maria Castello Branco com quem tive a infelicidade de me cruzar! e que lamento a memória que gasto a saber os seus inúteis nomes! e o José Magalhães da censura online! e a soberba ridícula do Pacheco do maoísmo não-MRPP! e o fanfarrão Salgado, o salteador! e os reguladores sonolentos e capturados, os defensores dos monopólios e de falta de concorrência, os ignorantes de custos de oportunidade e de avaliações de impacto! E o raquítico Tiago Rodrigues que mata fascistas mas comunas ama! e o Brandão Rodrigues que compromete as gerações! E todos os que são políticos e artistas! e o pobre José Augusto-França que faleceu quando viu o Pacheco! e o psiquiatra minguado do Twitter a soldo ao PS! e a fascista Rosa Mota! E as exposições anuais das Belas-Arte(s)! E todas as fontes do Parque das Nações! E o talento da Joana Vasconcelos em Paris! e os Berardos e todos os comendadores de Lisboa e arredores! e o PRR para o bolso dos amigos! e as reformas da justiça que já estão feitas! e as patetices do Pacheco!

E os velhos do Restelo, os idiotas, os assessores, os bloggers, os doutores, os arranjistas, os impotentes, os celerados, os vendidos, os pilotos da TAP, os imbecis, os párias, os banqueiros dos amigos, os ascetas, os tachistas, os beija-mão, o Ventura, os Joãos (V e Galamba), indigentes Costas (Cabral, Afonso, Carlos do Banco, o tal mauzão da embaixada, e António), Marcellos (com 1 ou 2 l’s), Salazar, diabo que os leve, Constâncio do partido e Banco, Sócrates de quem tantos são filhos, Santo Jorge Coelho! e o Rendeiro com a sua carta “saia da prisão” do Monopólio! e os Santos Silva: o amigo do outro, o político quer voltar à ciência mas não o deixam, o dever chama coitado, e também outros que não são santos, o António Maria (da), o Pedro Nuno e o Chicão, ainda outro Rodrigues dos (da TV e dos romances)! E o Ivo Rosa, Vieira, Justino (prostado aos mestres Rio, Godinho, Braudel e afins), Cabrita mata-mata, Jonet e a sua mãezinha, os outros Apelidos que se repetem! e Brandão Rodrigues contas-da-mercearia, irredutível Santana Lopes, Daniel Traça dos rankings FT mas invisível-CV, Durão (Mr. Barroso, please), o rei dos frangos, a Meireles do CDS que não quis ouvir o puto das leaks, o pândego do Ferro Rodrigues, e o exército de comentadores tudólogos a soldo da TV, e os que ficam calados com as injustiças por interesse ou medo da turba – e todos os Pachecos que houver por aí!


E os violinos da Gulbenkian em Lisboa, almoços e salários de administradores à custa das bolsas de estudo para alunos, à revelia do fundador! e as malas Louis Vuitton na universidade pública enquanto os pobres pagam propina na privada! E as estátuas ao Perdigão, o falo do Ronaldo, a pirâmide do Isaltino em Oeiras, e tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! o património em risco no Burnay e Juromenha! E os magníficos júris da FCT! E tudo!
Tudo por causa do Pacheco!
Morra o Pacheco, morra! PIM!

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa! O exílio dos degredados e dos indiferentes! Um covil de idiotas financiados pela UE! O entulho das desvantagens e dos sobejos! um país que mais de um século depois do manifesto de Almada, continua inundado de parasitas Dantas!
Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia – se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Pacheco, morra! PIM!

À memória de José de Almada Negreiros (1893-1970).
Porque em Portugal, tantas vezes o tempo encarrega-se de mudar os actores para ficarem as personagens na mesma.